Perigo para a população amarantina
14-01-2011 18:52
Investigadora detecta níveis de radioactividade potencialmente cancerígenos em Amarante
Lisa Martins, que apresentou uma tese de mestrado sobre recursos geológicos e desenvolvimento sustentável, explicou que foram detectados valores elevados de radão, o gás produzido pelo urânio que existe em alguns tipos de granito da zona de Amarante. A autora referiu que "a exposição a longo prazo" a níveis elevados de radão pode provocar neoplasias pulmonares, leucemia infantil e, em alguns casos, a aterosclerose.
O estudo concluiu pela existência de quantidades deste gás que chegam a ser superiores ao dobro em quatro habitações, com destaque para a zona histórica da cidade e a freguesia de Padronelo. Das 73 habitações estudadas, 35 apresentavam valores superiores a 400 Bequerel (unidade de medida da radioatividade) por metro cúbico, o máximo admissível pelas recomendações da União Europeia (UE). Em quatro casas, cuja localização não especificou, foi ultrapassado o valor de 2000.
A investigadora atribuiu estes valores elevados à reduzida ventilação das habitações durante o inverno, recomendando que as pessoas dessas zonas abram as janelas frequentemente para evitarem a acumulação do gás.
Para essas zonas, sugere "medidas de mitigação", nomeadamente cuidados redobrados na construção de novas casas, as quais, sublinhou, deverão ser dotadas de caixas-de-ar. "Essa medida não vai resolver o problema, mas vai diminuí-lo de forma significativa", vincou.
O estudo incluiu também a recolha de 15 amostras de água em vários pontos, incluindo no rio Tâmega, na antiga zona termal das Murtas, em poços particulares e em alguns fontanários. Em seis dessas recolhas, cuja origem também não quis apontar "para não causar alarmismo na população", foram detetados valores anómalos, superiores a 1000, que é o valor recomendado.
Lisa Martins referiu que a ingestão da água com níveis elevados de radioatividade natural não se traduz em problemas de saúde, mas a inalação prolongada do gás que brota do líquido já poderá ter um efeito nefasto ao nível dos pulmões.
Apesar dos dados recolhidos, a investigadora salienta que "o estudo não pretendeu causar alarmismo nas pessoas", frisando que há outras regiões do país que apresentam níveis de radioatividade natural superiores a Amarante, nomeadamente a Guarda.